A resolução dos problemas transversais é normalmente a primeira preocupação de todo tratamento ortodôntico-ortopédico, independente da fase da dentição na qual se encontra o paciente. Os problemas transversais ou as mordidas cruzadas posteriores podem ser definidos como “ uma relação anormal de um ou mais dentes da maxila com um ou mais dentes da mandíbula” e podem ser classificados como:

  1. Quanto ao plano transversal:
    • Unilateral : envolve apenas um lado do arco dentário, podendo ser subdividida em direita ou esquerda.
    • Bilateral : envolve os dois lados do arco dentário.
  2. Quanto à orientação anatômica:
    • Lingual: quando a cúspide vestibular do dente superior oclui no sulco central do dente inferior.
    • Vestibular (ou Síndrome de Brodie) : quando a cúspide palatina do dente superior oclui na face vestibular do dente inferior.
  3. Quanto ao envolvimento:
    • Dentária: quando ocorre uma alteração na inclinação normal de um ou mais dentes durante o seu processo de erupção, acarretando numa relação cruzada com seu antagonista, porém sem anomalias do osso basal.
    • Funcional : ocorre quando por mecanismos funcionais, através de contatos prematuros, a mandíbula sofre um desvio lateral.

O crescimento da maxila: Ocorre por remodelamento ósseo e por crescimento sutural, principal em decorrência do desenvolvimento das cavidades orbitarias, nasal e bucal.

O aumento de volume da maxila se dá por aposição óssea em todas as direções, principalmente nas regiões posterior e superior, promovendo seu deslocamento para FRENTE e para BAIXO (obedecendo a disposição das suturas pterigopalatina, frontomaxilar, zigomaticomaxilar e zigomaticotemporal).

Esse mecanismo de ossificação torna a maxila ( seios maxilares, cavidade nasal e abóbada palatina) susceptível a alterações decorrentes do meio ambiente durante o crescimento,reafirmando a importância da matriz funcional na  determinação da  sua configuração estrutural e disposição espacial.

Fatores ambientais que interferem negativamente no crescimento maxilar:

  • distúrbios funcionais relacionados às vias aéreas superiores; • postura e funções linguais inadequadas;
  • sucção digital e/ou chupeta.

Indicação

  • – Atresia Maxilar ( real ou relativa )

Relativa : quando a maxila se apresenta com boa proporção em relação à face superior e ao crânio, porém a mandíbula se mostra excessivamente grande. A discrepância mandibular pode ser verificada nas casos de Classe I e Classe II ( largura) e Classe III (largura e comprimento). Como não é possível fazer a contração da mandíbula, faz-se a expansão da maxila.

Real : caracteriza-se pela compressão da maxila com constrição dos segmentos dentais posteriores. O comprimento do arco é deficiente, com exceção das Classes II com grande sobressaliência.

  • – Estenose nasal com respiração bucal característica

São significantes os benefícios provocados pela ERM em indivíduos com problemas respiratórios. Quando a maxila se abre, as paredes externas da cavidade nasal se movem lateralmente, ocorrendo um aumento na capacidade intranasal, tornando a respiração nasal uma atividade mais fácil.

  • – Todos os tipos de Classe III (Dentária, esquelética e pseudo-classe III)

Após a ERM, verifica-se que a mandíbula sofre uma rotação para baixo e para trás, melhorando a discrepância sagital.

A ERM não afeta apenas a sutura maxilar mas sim todas as articulações circunmaxilares, facilitando a tração reversa da maxila.

  • – Fissurados palatinos (adultos)

Pacientes fissurados apresentam oclusão insatisfatória com dificuldades mastigatórias além de deficiência respiratória devido a constituição da maxila. A ERM move os fragmentos do arco superior para suas corretas relações com o inferior. Normalmente há necessidade de enxerto ósseo para manutenção da estabilidade.

  • – Casos limítrofes ( extração X não extração)

Caso com pequenas discrepâncias, bom perfil facial  e dúvidas em relação à estabilidade com procedimentos simples de expansões dos arcos dentários a ERM é um procedimento viável , podendo inclusive obter-se algum ganho de espaço no arco inferior, pela inclinação vestibular dos dentes inferiores.

Existem alguns tipos de aparelhos disjuntores utilizados para realização da expansão rápida da maxila e tratamento dos problemas transversais, esses aparelhos são conhecidos como Disjuntor de Haas, Hyrax, McNamara e Quadrihelice.

Falaremos um pouco mais detalhado a respeito de cada dispositivo em uma próxima postagem, até lá!

Informações acessem o  site www.labciclus.com.br